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DOIS SÁBADOS NAQUELA MESMA SEMANA



Com uma simples comparação de textos, podemos provar que na semana da morte de Yeshua (Jesus), houve dois sábados: O primeiro dia dos asmos, que caía no dia 15 de Nisã e que neste caso, foi na quinta-feira e o Sábado do Eterno, o sétimo dia da semana. Para melhor entendermos, tomaremos um fato ocorrido neste período, ou seja, a compra de material e o preparo das especiarias, para se ungir o corpo de Yeshua. Vejamos quando isto ocorreu, segundo o relato de Lucas 23:54-56.


"E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos, e no sábado repousaram conforme o mandamento."


Por esta passagem fica claro a ordem de acontecimento das coisas:


a) Já estava terminando o dia da preparação, com o pôr-do-sol, e começando o sábado. Já não havia mais tempo para comprar e preparar as especiarias para ungir o corpo do Eterno, pois já era sábado.


b) O verso 54, no entanto, fala que elas, as mulheres, prepararam tudo antes do sábado e que repousaram neste dia, conforme ordenava o mandamento.

Como entender isto? Se já estava iniciando o sábado, como e quando elas compraram e fizeram os preparativos se o verso final nos prova que elas observaram o sábado. Difícil, não?


Comparemos agora o mesmo assunto com o descrito em Marcos 16:1 "E, passado o sábado, Maria Madalena e Maria mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo."


Este texto, parece complicar mais, todavia é aqui que se esclarecem os fatos, pois fala que as mulheres foram comprar as especiarias DEPOIS do sábado. Lucas, no verso 54 nos disse que este preparo ocorreu antes do Sábado e Marcos disse que foi depois! Como harmonizar as coisas?


A grande e esclarecedora verdade é que naquela semana houve dois Sábados: Um cerimonial, ocorrido na quinta-feira, ou seja, o primeiro dia da grande festa dos asmos e o outro, o sétimo dia da semana, ou o Sábado citado pelo quarto mandamento do decálogo divino. Assim que Yeshua (Jesus) morreu no dia 14 de Nisã, uma quarta-feira, também considerado o "dia da preparação"; foi sepultado no final deste dia, próximo ao pôr-do-sol, portanto já quase na virada para a quinta-feira, que por sua vez era o dia dos asmos, um sábado cerimonial e festivo. Foi depois deste sábado cerimonial ou quinta-feira, que as mulheres compraram e prepararam as especiarias, o que harmoniza com Marcos 16:1.


Uma vez preparado o material para ungir o corpo do Eterno, o que certamente se aprontou na sexta-feira, no Sábado do Eterno elas repousaram conforme o preceito da Lei (o que prova que os primitivos cristãos eram sabatistas) e no primeiro dia da semana foram cedo para fazer a santa unção. Isto harmoniza também Lucas 23:54 e 24:1 com Marcos 16:1, 2. Portanto, fica claro que naquela semana houve dois Sábados, dissipando-se assim quaisquer possíveis dúvidas no assunto.


OUTROS DIAS CHAMADOS "SÁBADOS"


Observe-se que a Bíblia fala de outros dias que não sendo o sétimo dia da semana, também recebem o nome de "Sábado". Por exemplo, encontramos um dia diferente chamado sábado no seguinte versículo: "...fala aos filhos de Israel e diz-lhes: No sétimo mês, ao primeiro do mês tereis descanso (SÁBADO), uma comemoração ao som de trombetas e uma santa convocação..." (Lev. 23:24)


Se lermos o versículo 39 encontraremos mencionado outro sábado: "Porém aos 15 dias do sétimo mês, quando tiverdes recolhido o fruto da terra, celebrareis a festa do Eterno por sete dias, o primeiro dia será descanso (SÁBADO); descanso (SÁBADO) será também o oitavo..."


Um texto que em nossas versões esclarece melhor que os dias de descanso nas festas fixas, eram chamados Sábados se acha em Lev. 23:32, ao dizer que o dia 10 do sétimo mês seria um Sábado para Israel: "Sábado de descanso vos será... aos nove do mês a tarde, duma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso Sábado." Se esta era uma data fixa, é obvio que podia cair em qualquer dia da semana e que seria um sábado, um sábado cerimonial, integrante de determinada festa.


Poderíamos ainda elucidar este assunto com uma passagem que menciona um Sábado denominado segundo-primeiro. Que seria isto? Certamente que este sábado não era o semanal, sétimo dia, mas um Sábado cerimonial. Porque segundo-primeiro? Porque era um Sábado secundário (não o principal, o 7º dia semanal), mas que caia primeiro, na semana, antes do Sábado do Eterno. Ver Lucas 6:1.


Assim é evidente e fácil de compreender que estas festas em datas fixas eram celebradas em qualquer dia da semana e que os dias em que não se trabalhavam eram considerados como "sábados".


Quando verificamos algumas passagens do Tanach (AT), pertencentes à instituição da Páscoa e da festa dos pães sem fermento que vem em seguida, encontramos porém outro dia chamado sábado e este é precisamente o SÁBADO ou "grande dia" a que João se referiu no capítulo 19:31, citado anteriormente.


Assim é indispensável determinar com que significado a palavra sábado está sendo aplicada na Bíblia, e de acordo com as Escrituras citadas pode-se ver que o Sábado que veio no dia seguinte ao que o Mashiach foi crucificado, não foi necessariamente o semanal dia de sábado, de acordo com o quarto mandamento.


O SÁBADO DA PÁSCOA


O Mashiach foi morto no dia 14 do primeiro mês hebreu, chamado Nisã ou Abib (o mesmo dia no qual o cordeiro da Páscoa era sacrificado sob o Antigo Testamento - Leia Êxodo 12:1-6) e isto podia acontecer em qualquer dia da semana.


O dia seguinte à morte do cordeiro da Páscoa, sempre era chamado de "Sábado". Isto determinamos com os seguintes versículos: "...No primeiro mês, aos quatorze do mês, pela tarde, é a Páscoa de Jeová. E aos quinze deste mês é a festa dos asmos. No primeiro dia tereis santa convocação: nenhuma obra servil fareis..." (Lev. 23:5-7)

Aqui o décimo quinto dia chama-se sábado, e era "uma santa convocação", o qual contrasta com o versículo 24: "...ao primeiro do mês terei sábado, uma comemoração ao som de trombetas". Uma santa convocação significa um descanso e dia de reunião.


Era um tempo em que nenhum trabalho servil (ou trabalho de qualquer natureza) deveria ser feito. Isto era um Sábado, por isso se pode ver que o dia seguinte à crucificação do Mashiach, o qual Lucas chama "o sábado" (Lucas 23:54), teria por necessidade que corresponder ao dia seguinte da Páscoa, de acordo com Levítico 23, e sendo sábado, não era o sétimo dia - o sábado semanal.


O dia da crucificação foi chamado de "a preparação" para o sábado da Páscoa que imediatamente lhe seguia, e não foi necessariamente uma sexta-feira da semana. Neste ano particularmente, o dia da "preparação" foi quarta-feira. (Mais tarde o verificaremos).


Yeshua (Jesus) morreu ao redor das três horas da tarde deste dia, e justamente antes do crepúsculo deste mesmo dia foi posto no túmulo.  Setenta e duas horas mais tarde (ou três dias e três noites) cumpriram-se antes do crepúsculo do sétimo dia, sábado semanal, o qual foi o tempo (de acordo com Mateus 28:1) em que o anjo abriu o túmulo e disse: Não temais vós, porque eu sei que procurais a Yeshua (Jesus), que foi crucificado. Não está aqui porque já ressuscitou, como disse. Venham, vede o lugar onde foi posto o Eterno..." (versos 5,6)


O TEMPO QUE ESTARIA NO SEPULCRO


Agora prosseguiremos nosso estudo considerando alguns versículos relacionados com o tempo do sepultamento de Mashiach. Este tempo é referido nos Evangelhos de três modos diferentes, como segue:


1 - Yeshua (Jesus) "estaria três dias e três noites no coração da terra" (Mat. 12:40)


2 - Ele "ressuscitou ao terceiro dia" (Mat. 16:21 e ver também Mat. 17:23; 20:19; Luc. 9:22)


3 - Yeshua (Jesus) havia dito: "depois de três dias me levantarei outra vez" (Mat. 27:63 e Mar. 8:31)


Sabendo que a Bíblia é divinamente inspirada e sem contradição, deve existir completa harmonia entre estes três períodos de tempo designados, e especialmente entre os termos: "ao terceiro dia" e "depois de três dias".


E aqui temos: A referencia (nestes versículos) sobre o tempo que o Mashiach estaria no túmulo, de nenhuma maneira se põe em evidência ou contradiz a doutrina da crucificação na quarta-feira e a ressurreição no fim do sábado (justamente antes do crepúsculo). Os versículos harmonizam com esta verdade de modo maravilhoso e mostram a exatidão da Palavra de D-us.


"RESSUSCITADO AO TERCEIRO DIA"


Como pôde Yeshua (Jesus) ter estado no túmulo três dias e três noites e ressuscitar ao terceiro dia?


Esta pergunta é facilmente respondida. Ele foi posto no túmulo numa quarta-feira (antes do crepúsculo). Vinte e quatro horas mais tarde se cumprem justamente antes do crepúsculo de quinta-feira, o qual marca o primeiro dia que estava no túmulo. Contando da mesma maneira, sexta-feira foi o segundo dia e o sábado (antes do crepúsculo 72 horas mais tarde) foi o terceiro dia. Três dias completos de 24 horas que Ele esteve sepultado, para sair do sepulcro no sábado semanal justamente antes do crepúsculo.


"DEPOIS DE TRÊS DIAS"


Outra vez: Como Yeshua (Jesus) poderia ter ressuscitado ao terceiro dia e ao mesmo tempo deixar o túmulo depois de três dias?


Esta é a resposta: De acordo com Mateus, Mashiach deveria estar no túmulo três dias e três noites (72 horas). Assim cumprindo este período de tempo, diz-se depois, que ELE havia estado ali três dias. Ele não levantou-se antes de que os três dias expirassem. Porém, sobrava um tempo de claridade ainda do dia, depois que passou o tempo especificado e o crepúsculo terminava, para que fizesse sua saída do túmulo e fizesse-a no terceiro dia.


Portanto, achamos perfeita harmonia nas três definições de tempo, tudo em seu exato minuto, como sabemos que D-us faz tudo. Louvado seja o Seu nome!


"O TERCEIRO DIA DESDE..."


Há mais uma referência no fator tempo, que está ligada a crucificação e ressurreição do Mashiach. Esta foi feita por um dos homens que iam caminhando para uma vila chamada Emaús, no dia seguinte da ressurreição, enquanto Yeshua (Jesus) (não O identificaram logo) juntou-se e andou com eles.


Iam, desconsolados, falando dos acontecimentos recentes que envolviam a morte e ressurreição de Yeshua (Jesus), quando disse: "E nós esperávamos que fosse Ele que remisse Israel, mas agora, sobre tudo isso, hoje já é o terceiro dia que estas coisas aconteceram..." (Luc. 24:21)


Notamos anteriormente que em vários versículos está relatado que Yeshua (Jesus) ressuscitaria no terceiro dia depois de sua crucificação e sepultamento. Se este terceiro dia mencionado por um dos discípulos que iam a Emaús era o terceiro dia depois de que Mashiach foi posto no túmulo, a conclusão seria que a ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana.


Isto apresenta uma direta contradição com os relatos que consideramos em outros versículos da Bíblia. Um deles, ao sinal de Jonas, e o outro: o relato feito por Mateus de que o Mashiach não foi encontrado no túmulo no final do sábado. Observaríamos ainda que este não é um relato contraditório feito em Lucas 24:21, como pode-se ver observando exatamente o que diz no versículo que estamos considerando.


Quando o analisamos podemos ver que não somente NÃO É UMA CONTRADIÇÃO, mas que é impossível que o domingo tenha sido "o terceiro dia desde que...", o "depois" seguindo o dia da crucificação do Mashiach. Por quê? Porque se domingo foi o terceiro dia depois da crucificação, não teria acontecido na sexta-feira, deveria ter ocorrido na quinta-feira, porque se o domingo era o terceiro dia depois, então seguindo o raciocínio anterior, ou seja, contando para trás - o sábado seria o segundo dia e a sexta o primeiro dia depois da crucificação, não o dia do acontecimento.


Seria absurdo e fora de harmonia com o entendimento comum e a dicção gramatical, dizer que o dia em que o Mashiach foi crucificado era o primeiro dia depois (ou desde) que foi feito. Isto não tem sentido. Certo?


Agora mostraremos, analisando o que o discípulo disse, que nem complica o assunto, nem o faz de modo nenhum contraditório aos relatos de outras partes da Santa Bíblia.


Embora o versículo que citamos seja usado geralmente para fundamentar a crença de que Mashiach ressuscitou no domingo, não o confirma. O discípulo não disse: "... hoje é o terceiro dia depois da crucificação e morte de Yeshua (Jesus)..."Ele disse assim: "...hoje é o terceiro dia que isto aconteceu..." De tal modo que primeiro é indispensável definir a que se refere: "que isso aconteceu". (Lucas 24:21)


Aparentemente os homens estavam falando de outras coisas além da crucificação e sepultura de Yeshua (Jesus), porque lemos no verso 14: "E iam falando entre si de todas aquelas coisas que tinham acontecido..."


Isso havia incluído tudo o que havia sido feito em relação a morte e sepultamento de Yeshua (Jesus). Algo que foi feito por último, consistiu no selamento da pedra que fechou o túmulo e o estabelecimento da guarda que cuidou do sepulcro com severa vigilância, e concluiu-se no dia seguinte de sua morte, que era quinta-feira (o selamento e a vigilância), como o comprova a leitura dos seguintes versos: 


"...E no dia seguinte, que é o dia seguinte depois da preparação, reuniram-se os príncipes e sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos, dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos de noite e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e assim o último erro será pior do que o primeiro. E disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda, ide guardai-o como entenderdes. E, indo eles asseguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra". (Mateus 27:62-66)


Assim, o tempo a contar dos dias posteriores, seria desde o dia em que a última coisa foi feita, relacionada com a crucificação, e esta era a que acabamos de assinalar: o selo do túmulo e o estabelecimento da guarda. Acontecimento ocorrido na quinta-feira.


De tal maneira que a sexta-feira havia sido o primeiro dia depois: o sábado o segundo dia depois e o domingo o terceiro dia depois de que "todas estas coisas aconteceram".